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Nov 18, 2008
Genealogia I

Há dias em que morremos um pouco,
noutros nascemos, corpos novos,
nas escarpas, no fim de dois
ou três pensativos cigarros,
como se os dias se fossem
perdendo em aglomerados sintéticos
de nicotina. E papel.

Do papel onde nos guardávamos
todos, surgia um abraço de
quadrículas escritas a negro,
um amontoado de memórias concretas,
de alguns beijos, e fonemas
dispersos.

Agora só restam cinzas
que cada um de nós mastigou,
sentiu, escreveu, moveu nas
suas próprias vísceras e guarda
algures no fundo do silêncio,
na luz tosca de um olhar colorido,
nos anexos de corpo que confundimos
com raízes. Os mortos.

Somos as réstias, as vidas,
os ideais, os livros que
ficaram por escrever.
Somos tinta seca, poemas
escritos em mortalhas,
somos iguais nas palavras
que nos sustentam, somos
todos um reles pedaço de
história. Mais um papel
em cinzas entre os dentes.

Posted at 03:37 pm by mortir
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